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COMO A CONSTRUÇÃO DO TÊNIS DE CORRIDA PODE AFETAR A PERFORMANCE EM CORRIDAS DE LONGA DISTÂNCIA?

Com o surgimento de uma leva de calçados com placas de carbono, muito se tem discutido sobre a sua utilização nas competições de alto nível e sua real influência na performance. Importantes pesquisadores de calçados esportivos vem se posicionando à respeito. Um destes posicionamentos está em nosso post recente (Efeito Gangorra ou Catapulta) destacando a explicação do mecanismo pelo qual estes tênis são efetivos. Este mecanismo recebeu o nome de "efeito gangorra".



Muito tem se falado sobre a espessura da entressola nestes tênis, acreditando-se que esta seja a questão mais importante para a melhora da performance, ou que não existe outro fator, a não ser este, que possa influenciar os tempos finais da prova.


Novamente, o mesmo grupo de professor Benno Nigg, destacado no último post (Efeito Gangorra ou Catapulta), comentou sobre estas incorretas posições sobre a entressola. Através de um comentário em um periódico exclusivo para pesquisas em calçados, em junho deste ano, Nigg e colaboradores, sugerem os pontos da construção de um tênis que podem influenciar a performance:




1- Massa (peso) do calçado: Há muito se sabe que cada 100 gramas a mais em sua massa, há o aumento em 1% no consumo de oxigênio. Mas existe um pequeno problema, pois os tênis de performance para corredores de longa distância não apresentam diferença maior que 50 g em sua massa. Portanto, a influência deste ponto na performance de dois corredores é de menos de 1%, mas esta pode ser a diferença entre o primeiro e segundo lugares.



2- Material da Entressola: acreditando-se que o acúmulo de energia que possa ocorrer em uma pisada em retropé (calcanhar) os autores relatam um grande problema: o retorno desta energia, normalmente ocorrer por volta de 10% do tempo de apoio ( o que é muito precoce para ser aproveitado). Isso demonstra que o retorno de energia através da deformação de um material específico durante a aterrissagem do calcanhar pode não ser algo confiável na redução no consumo de energia durante a corrida. Só poderia ser obtido através da utilização de uma material específico que permita a sincronização destas forças. Os autores acreditam que este fator interfira na performance em menos de 1%.





3- Espessura na entressola abaixo do calcanhar: outro fator relativo ao calcanhar é a espessura da entressola, acreditando-se que uma maior espessura possa aumentar o tempo de contato do calcanhar da ordem de 6 a 13 milissegundos. Isto resultaria em uma relação mais alongada da curva força x tempo. Mas o aumento do tempo de contato pode fazer com que haja maior possibilidade de acúmulo de energia. De qualquer forma o retorno da energia acumulada aconteceria em descompasso com o tempo da pisada. Os autores especulam que este fator aeta a performance em menos de 1%.




4- Rigidez longitudinal do calçado com sola reta: a velocidade pode ser melhorada para o tênis que tenha maior rigidez pela menor perda de energia comparado a tênis que sejam mais flexíveis longitudinalmente. Para aumentar esta rigidez se faz necessário a utilização de uma entressola menos flexível, seja por meio da borracha ou de estrutura dentro desta, como uma placa de carbono, por exemplo. Os autores acreditam que a performance possa ser melhorada em até 3% com o acerto desta variável.




5- Rigidez longitudinal do calçado com sola curva: uma placa em curva potencializa os efeitos de uma placa reta durante a propulsão, evidenciando o "efeito gangorra" (Efeito Gangorra ou Catapulta). Esta curva com convexidade para baixo permite aplicação de uma força que move a região anterior do pé para frente com mais facilidade. A outra extremidade "catapulta" o calcanhar para cima. Uma estimativa através do modelo de elementos finitos prediz um aumento de performance em 6% por este fator.



6- Rigidez longitudinal do calçados e mecânica muscular: Os autores destacam que calçados com rigidez longitudinais diferentes tendem a manter o mesmo trabalho mecânico total correndo na esteira, pois muda-se a velocidade de contração dos músculos da perna. Eles destacam que velocidades de encurtamento menores, ativam menos unidades motoras (neurônio+fibras por ele inervados) gerando força de forma mais econômica. Isso pode reduzir o custo metabólico. Especula-se que este fator pode otimizar a performance entre 1 a 3%.


E para concluir, os autores afirmam que seria inadequado especular sobre as recentes quebras de recordes em provas mais longas creditando este fato somente à espessura das entressolas dos calçados com placas. A tabela abaixo demonstra quanto cada fator pode contribuir para a melhora de performance ao utilizar estes tênis com placas rígidas de carbono.



Referência Bibliográfica

Nigg, B. M., Cigoja, S., & Nigg, S. R. (2020). Effects of running shoe construction on performance in long distance running. Footwear Science, 1-6.



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